O arquétipo na terapia junguiana

Arquétipo é a forma à qual o fenômeno psíquico tende a se moldar.

Inconsciente Coletivo é a matriz da psique.

O arquétipo na terapia junguiana.

O arquétipo na terapia junguiana

O nascedouro de tudo


Arquétipo, na Psicologia Analítica, significa a forma imaterial à qual os fenômenos psíquicos tendem a se moldar.

Nise da Silveira, em sua obra: Jung: vida e obra, diz o seguinte sobre o arquétipo:

O arquétipo na terapia junguiana

A noção de arquétipo, postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos, permite compreender porque em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos nos contos de fadas, nos mitos, nos dogmas e ritos das religiões, nas artes, na filosofia, nas produções do inconsciente de um modo geral – seja nos sonhos de pessoas normais, seja em delírios de loucos.

O que foi dito por Nise da Silveira sobra a existência de uma “base psíquica” aponta para um ponto importante: “todo processo psicológico tem sua origem na psique objetiva e arquetípica, ou seja, emerge do inconsciente coletivo e se desenvolve como conteúdo pessoal na psique do indivíduo”.

Sendo assim, todas as experiências psicológicas são também arquetípicas ou com raiz arquetípica.

A dedução parte do pressuposto de que o Inconsciente Coletivo é uma herança psíquica indica que o ser humano não nasce como uma tábula rasa.

O Inconsciente Coletivo é a matriz do que se configura na psique.

O Inconsciente Pessoal emerge a partir do Inconsciente Coletivo assim como a Consciência.

E os arquétipos constituem o Inconsciente Coletivo que é o nascedouro de tudo na psique.

A constatação mais notória de que todas as experiências psicológicas são também arquetípicas ou com raiz arquetípica está no próprio ego que é um complexo e vale lembrar que o núcleo de todo complexo é um arquétipo.

Ou seja, o próprio sujeito da consciência tem raiz arquetípica.

Por isso, a compreensão dos arquétipos por parte do psicólogo junguiano é imprescindível, pois todo conteúdo pessoal tem uma raiz arquetípica.

O arquétipo na terapia junguiana

O arquétipo na terapia junguiana


A atuação dos arquétipos se dá como predisposição interna para perceber o mundo de certa maneira e de orientar-se no mundo movido por estas forças arquetípicas.

Jung, em: A natureza da psique, diz:

O arquétipo na terapia junguiana

Os arquétipos estão continuamente presentes e ativos; em si não precisam ser acreditados, mas de um certo conhecimento de seu próprio significado e de um sábio receio […].(§ 427).

Eis a importância de se estudar e conhecer os arquétipos, pois, creiamos ou não, eles são presenças influentes diante do livre arbítrio humano.

Aqui vale fazer uma importante ressalva: é preciso estar atento na prática da clínica junguiana a não polarizar todas as situações clínicas ou como pessoais ou como arquetípicas.

Para que não haja confusão é fundamental a compreensão de que os arquétipos constituem as raízes de toda experiência humana por ser a matriz dos recursos psíquicos que o indivíduo tem para atuar na vida. Mas não se deve esquecer que o ser humano sofre influência das suas experiências interpessoais e que estas são externas à psique.

A terapia junguiana ao entender a raiz arquetípica de todo recurso psíquico procura, assim, a profundidade envolvida em qualquer relação humana, mas ciente da existência da influência das experiências interpessoais.

A presença arquetípica nas situações interpessoais se dá pelo fato de que a experiência pessoal será vivida através de recursos psíquicos com raízes arquetípicas.

Este é um dos motivos da psicologia de Jung ser chamada de psicologia profunda, pois a terapia junguiana não coloca como foco de trabalho apenas as relações superficiais de seu cliente.

A terapia junguiana não propõe que o cliente se adapte a uma situação específica e saiba lidar então com esta situação específica.

A terapia junguiana visa o trabalho com o indivíduo de forma que o seu foco se baseia na preparação do indivíduo para que este lide com todas as situações similares em sua vida.

Quando o trabalho terapêutico visa somente a resolução de uma situação específica o que acontecerá será o deslocamento da energia dos complexos de seu cliente para outra situação que é similar para sua psique.

Tal quadro pode fazer do cliente um refém de seu terapeuta que verá neste o herói para salvá-lo ou um oráculo a ser consultado nas situações difíceis de sua vida.

O papel do psicólogo junguiano é despertar o curador interior de seu cliente e o curador interno é um arquétipo.

Paulo Rogério da Motta