Amar-se para amar

Amar é um movimento de dentro para fora.

Há que se ter amor em si para oferecer amor ao outro.

E quando a pessoa não ama a si mesma?

Amar-se para amar

Amar-se para amar


Eu me amo.

Eu não me amo.

Como ficar comigo se não gosto de mim?

Então preciso do outro para fazer companhia para mim e se não sei me amar cabe ao outro me amar em meu lugar.

A bíblia contém uma frase muito sábia, mas pelo que parece poucos conseguem compreende-la:

Ama ao próximo como a ti mesmo.

Para muitos é uma afirmação de que se deve o próximo e ponto final.

Mas não é bem assim!

A frase bíblica pede para que se ame o próximo “da mesma maneira” que o indivíduo ama a si mesmo.

Ou seja, quem não se ama, por consequência, não amará o próximo.

Não há como se oferecer o que não se tem!

Essa incapacidade de amar a si mesmo alimenta o amor romântico que coloca no outro a responsabilidade de fazer com que aquele que não ama a si mesmo se sinta amado.

Aquele que não ama a si mesmo necessita que o outro supra a sua carência de amor.

O outro representa a presença do amor em sua vida e a sua ausência esvazia o sentido da vida.

Mas quanto a ausência do outro não será, na verdade, a ausência de si mesmo?

Amar-se para amar

Eu te amo porque me amo


Uma história com um enredo assim:

Você é tudo para mim! Sem você eu não vivo!

A moral dessa história é:

Minha vida está nas suas mãos.

Catherine Bensaid, na obra: O essencial do amor: As diferentes faces da experiência amorosa, diz:

Ao obedecer a um desejo de fusão e não de comunhão, a necessidade de um ser único para que o casal seja único acarreta a perda de cada um dos parceiros, assim como do relacionamento. […]

[…] Ser apenas um, a questão é a seguinte: qual deles?

Viver em função de alguém ou do amor de alguém é obedecer ao desejo de fusão citada pela autora.

Ao se viver na dependência do outro para se sentir amado o efeito colateral é que uma relação assim será sustentada pela carência.

Carência é quando falta algo.

Quando alguém se sente “um” com o outro é porque não existem “dois” na relação.

É uma relação pela metade e a metade que falta está na ausência do amor por si mesmo.

Amar ao próximo?

Sim.

Mas que o amor ao próximo se origine no amor a si mesmo.

Paulo Rogério da Motta