Agressividade da criança e do adolescente


A agressividade da criança e do adolescente pode ter como causa o desejo de poder e de aceitação social.

Como pode se manifestar e como lidar com essa agressividade?

Agressividade da criança e do adolescente


A agressividade da criança e do adolescente

A APA (Associação Americana de Psiquiatria) classifica em quatro grupos os comportamentos agressivos de crianças e adolescentes:

  • Comportamentos agressivos que causam dano físico ou ameaças a outras pessoas e animais
  • Comportamento agressivo que causa a destruição da propriedade de outras pessoas ou animais
  • Comportamentos fraudulentos ou roubos
  • Violação grave das normas

A agressividade na criança e no adolescente, assim, geralmente, se caracteriza pelo desejo de ferir ou provocar dano em algo ou alguém.

Porém, nem sempre o motivo principal é este desejo de ferir ou causar dano, muitas vezes, a agressividade pode ter como causa o desejo de poder e de aceitação social.

Por exemplo: uma briga entre adolescentes na escola pode acontecer como uma forma de demonstração de poder que, em sua opinião, causará admiração social.

De qualquer forma, podemos perceber que a agressividade sempre está a serviço de alguma coisa, embora, possa ser vista por muitos como uma reação instintiva ou como fruto do temperamento do indivíduo.

Após o vídeo veremos algumas formas em que a agressividade pode se manifestar em crianças e adolescentes.


Vídeo: Agressividade infantil


Manifestações da agressividade na criança e no adolescente


A agressividade na criança e no adolescente - Bruxismo

Bruxismo

O bruxismo ou briquismo é um hábito destrutivo adquirido inconscientemente que consiste em raspar as superfícies dos dentes superiores contra os inferiores principalmente durante o sono, mas podendo também ocorrer durante os períodos de vigília atingindo todas as pessoas em qualquer faixa etária.

A visão psicológica do bruxismo é a de que ele decorre de conflitos internos e tensões emocionais e que sua origem é a agressividade reprimida que não encontra meios de ser naturalmente liberada.

A raiva, o temor e a frustração são os principais causadores do bruxismo.

A expressão “ranger os dentes de raiva” é uma boa representação do bruxismo.


A agressividade na criança e no adolescente - Hiperatividade

Hiperatividade

A hiperatividade ou TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade) pode afetar crianças e adolescentes e até adultos.

O TDAH pode manifestar problemas de memória, linguagem e habilidades motoras e pode também se considerar como uma maneira de expressar a raiva reprimida.

A hiperatividade caracteriza-se pela falta de controle que faz com o indivíduo apresente dificuldade em seguir regras, de pensar antes de agir, o que o torna mal educado e, por vezes, agressivo.

Os casos mais graves podem gerar um comportamento impulsivo com transtornos mais graves como brigas corporais e mentiras que podem ser vistos pelas outras pessoas como maldade.

As pessoas com TDAH têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isto afeta os demais à sua volta são frequentemente considerados “egoístas”.

Eles têm uma grande frequência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.


A agressividade na criança e no adolescente - Bullying

Bullying

O Bullying é uma conduta agressiva intencional que se manifesta com frequência no âmbito escolar entre os jovens.

Caracteriza-se como uma violência física, psicológica e/ou social realizada por um indivíduo ou grupo contra outro indivíduo que não é capaz de se defender.

A agressividade física pode ser expressa na forma de violência, roubo de objetos ou danos a pertences da vítima.

A agressividade psicológica pode ser expressa em ameaças, insultos, uso de apelidos e toda conduta que resulte em humilhação e subjugação da vítima.

A agressividade social se expressa ao se espalhar rumores, fofocas ou qualquer meio que promova exclusão ou desvalorização social.

Os bullies apresentam grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos antissociais e violentos, podendo, inclusive, adotarem atitudes delinquentes e criminosas.


Vídeo: A agressividade na adolescência


Lidando com a agressividade na criança e no adolescente

Vimos que a intensidade da agressividade e o efeito dos impulsos agressivos são muito influenciados pelo ambiente.

Portanto, a criação de um ambiente em que a criança ou adolescente encontre meios de se autoafirmar, que promova a conscientização e disponha de meios para liberação de sua energia será altamente favorável para o seu desenvolvimento.

Os educadores de crianças ou adolescentes; sejam eles pais, professores ou cuidadores; precisam de constante vigilância de seus procedimentos para que não incorram nem na ausência de limites e nem no excesso de exigências.

A ausência de limites consiste numa permissividade excessiva que gera na criança e adolescente a ilusão de eles tudo podem e de que o mundo foi criado com a finalidade exclusiva de servi-los.

O excesso de exigências, por sua vez, gera na criança e adolescente perda de parâmetros de como deve agir, pois as exigências exageradas promovem neles a pressão de acreditarem que precisam acertar sempre e que eles nunca são bons o suficiente e isto é um grande empecilho nas suas buscas de autoafirmação.

É também papel do educador promover um ambiente que facilite as relações interpessoais, pois estas relações são ótimos contextos para se trabalhar a aceitação de diferenças, a empatia, a solidariedade, a atuação em equipe.

Cabe também ao educador detectar problemas de agressividade, ressaltando que a criança e adolescente pode ser tanto agente como vítima da agressividade.

A agressividade negativa deve ser combatida em qualquer faixa etária, mas o combate na infância é de suma importância, pois pode evitar que a criança considere a agressão como um meio errôneo para se autoafirmar e liderar, evitando, assim, que a criança associe a agressividade com algo proveitoso para si, o que pode resultar em situações como o bullying.

A busca constante de autoafirmação pode ser facilitada pelos educadores oferecendo a criança e adolescente o elogio, o afeto e a compreensão que são muito mais eficazes do que o castigo, a bronca e a indiferença.

O olhar de educadores de crianças e adolescentes também deve estar voltado para a autoagressão, pois esta autopunição pode gerar o complexo de inferioridade, a depressão e até o suicídio.

Aumentar a autoestima e acolher sem promover a vitimização são meios para auxiliá-los.

A ideia principal para o combate e compreensão da agressividade é a de que o ser humano, seja em que idade for, é um ser em busca de autoafirmação e qualquer procedimento que o auxilie nesta busca será de grande importância em sua vida.


Vídeo: A paz