A transferência na vida cotidiana


A transferência não acontece apenas na prática clínica, ela também acontece na vida cotidiana.

Muitas relações são constituídas e mantidas pelas transferências.


A transferência na vida cotidiana

A transferência não acontece apenas em relação ao terapeuta, ela acontece também na vida cotidiana.

O que caracteriza a transferência é a intensidade libidinal e não tem uma destinação exclusiva ao psicoterapeuta.

A transferência não é uma tarefa fácil dentro do contexto psicoterapêutico, por isso, é possível se imaginar as dificuldades ainda maiores fora deste contexto.

O resultado pode ser um coquetel de medo, de amor, de desejo de posse, de endeusamento e do desejo de querer induzir a vítima da transferência a satisfazer as projeções de quem investe a libido.

Uma transferência bastante comum é a projeção da sombra, anima ou animus em algo ou alguém.

As relações amorosas, como casamento, por exemplo, é um rico campo de transferências.

Uma medida que seria extremamente salutar seria a de que pelo menos um dos integrantes do casal passasse por um processo psicoterapêutico antes de dizer o “sim” para o seu companheiro ou companheira.

E ressalte-se que há o perigo deste “sim” nem existir após um processo terapêutico.

Há nas relações amorosas uma euforia inicial capaz de ativar processos de transferência e quando isto acontece de parte a parte então acontece uma simbiose que alimenta as projeções de ambos.

Porém, não há ilusão que consiga persistir indefinidamente numa relação cotidiana como o casamento e então ela começa a ruir e a realidade começa a aparecer como fraquezas ou defeitos naquele que é o objeto da transferência.

Retirar as projeções é algo semelhante a rasgar o conto de fadas idealizado e que se acreditava ser o roteiro de vida de felicidade.

Agora é possível perceber por que tantas relações tem seu fim num setting terapêutico, pois a relação não consegue sobreviver quando todas as projeções são retiradas.

A resignação e a criatividade são fundamentais para lidar em tais casos, pois há que se confrontar com a realidade e diante desta realidade ainda achar meios de lidar com ela como algo positivo.

Paulo Rogério da Motta