A filosofia grega e a psicologia junguiana

A filosofia grega e a psicologia junguiana caminham na busca do que está além do visível.

O que é real e o que é realidade são questões da psique humana.

A filosofia grega e a psicologia junguiana

A filosofia grega


A psicologia procura entender como é a realidade vivida e projetada pela psique.

Mais do que o aparente e objetivo interessa à psicologia o essencial e subjetivo.

A filosofia grega tinha comum interesse pelo que está além do visível.

Edward F. Edinger, em sua obra: A psique na antiguidade: Livro Um: Filosofia grega antiga de Tales a Plotino, diz:

Examinando a filosofia grega como um todo tem-se a impressão de que o interesse inicial e fundamental dos filósofos gregos estava no que jaz além do mundo visível. Eles perceberam que havia algo por trás do que se vê comumente. Suas questões fundamentais eram metafísicas, ou sejam estavam além do físico.

Mais do que a realidade em si, os filósofos estavam interessados em questões como:

  • O que é real?
  • O que é essencialmente realidade?

A filosofia grega e a psicologia junguiana

A filosofia grega e a psicologia junguiana


Mas tais questionamentos eram movidos por uma curiosidade metafísica.

A psicologia ao não considerar a psique como epifenômeno do cérebro acaba por fazer os mesmos questionamentos dos filósofos gregos.

A psicologia, porém, enveredando para um viés em que a percepção do sujeito que busca o que é real ocupa a posição central.

  • O que é real para o sujeito?
  • O que é a realidade para o sujeito?

A filosofia grega constituiu alguns dos alicerces da psicologia de Carl Gustav Jung.

Jung via este entrelaçamento da filosofia grega com a psicologia ao notar que a psique fundamentava as afirmações filosóficas:

A quantidade da realidade anímica projetada no desconhecido das aparências externas é familiar a todo conhecedor da antiga ciência e filosofia naturais. De fato, é tão grande, que não podemos dizer o modo pelo qual o mundo é propriamente constituído, uma vez que somos obrigados a converter acontecimentos físicos em processos psíquicos, se quisermos dizer o que quer que seja acerca do conhecimento. Mas quem pode garantir que nessa conversão se produza uma imagem “objetiva” adequada do mundo? Isso só poderia acontecer se o acontecimento físico também fosse psíquico. (Carl Gustav Jung; Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo – § 116).

A situação de que o que é objetivo será compreendido psiquicamente necessariamente indica que a compreensão buscada pelos filósofos gregos seria necessariamente uma aquisição através e da psique.

Já me objetaram que a interpretação ao nível do sujeito representa um problema filosófico e que a aplicação deste princípio conduz às limitações da cosmovisão e que, por isto mesmo, perde o seu caráter de ciência. Não me parece constituir motivo de surpresa ver a Psicologia abeirar-se da Filosofia, porque a atividade pensante, base de toda Filosofia, é uma atividade psíquica que, como tal, pertence ao campo da Psicologia. Quando falo de Psicologia, tenho em mente a alma humana com todos os seus aspectos, e aqui se incluem a Filosofia, a Teologia e ainda muitas outras coisas. Subjacentes a todas as filosofias e a todas as religiões, estão os dados da alma humana que talvez constituam a instância derradeira da verdade e do erro. (Carl Gustav Jung; A natureza da psique – § 525).

A filosofia grega, desta forma, conjectura a partir do contexto psíquico e as concepções filosóficas dos antigos gregos eram elaboradas de acordo com a configuração psicológica do seu pensador.

A Grécia antiga era movida por deuses e sagas que hoje é mitologia e, através da psicologia de Jung, sabemos que os deuses são representações arquetípicas.

Até o mais ortodoxo racionalista é influenciado arquetipicamente quer ele goste ou não da ideia.

Na Grécia antiga a mitologia serviu para que se desenvolvesse a filosofia e a filosofia, por sua vez, serviu para que as demais ciências se desenvolvessem.

Isto é, a busca da verdade dos antigos gregos se originou a partir do mítico e o mítico é psíquico ao ser representação do arquetípico.

Edinger, na obra já citada, diz que:

Para os antigos gregos, a filosofia era um modo de estudar os arquétipos.

Ao se circum-ambular pela filosofia grega e pela psicologia junguiana se pode perceber o quanto os antigos filósofos gregos influenciaram Jung.

Nomes como: Heráclito, Sócrates e Platão foram fontes que influenciaram o pensamento de Jung.

Podemos também perceber que se a filosofia é tida como a mãe de todas as ciências, a mitologia pode ser vista como a avó.

Paulo Rogério da Motta


Vídeo: Filosofia e Psicologia