A curiosidade e o psicólogo

A curiosidade é necessária e benéfica para o psicólogo?

O psicólogo pode e deve ser curioso?

Considerações, causas e consequências da curiosidade para o psicólogo.

A curiosidade e o psicólogo

Curiosidade, inquisição e vocação


A curiosidade é saudável quanto se manifesta em consequência da vocação, mas um perigo quando a sua manifestação tem como origem as necessidades do ego.

Para realmente estar com o outro a curiosidade é benéfica porque alimenta a empatia e a vontade de estar com o outro.

Porém, quando temos a necessidade de saber surgem as exigências e o encontro se torna um diálogo inquisitorial cujo propósito maior é a satisfação da exigência de saber do curioso.

A curiosidade provinda da vocação é paciente com a fluidez da natureza humana.

O tempo certo para aquele que atua com a vocação é o tempo do outro e, desta forma, a relação com o outro é feita sem pressões e dominações.

Uma pergunta imprudente pode abrir um abismo de distanciamento.

Quando alguém se sente acuado a reação natural é de ataque ou de fuga.

É necessário respeitar os espaços: o seu e o do outro para que a conexão interior aconteça.

A curiosidade e o psicólogo

A curiosidade e o psicólogo


A curiosidade pode fazer com que a pessoa se sinta um objeto e tenha a sensação de estar sendo julgada como boa ou má.

E o paciente não deve se sentir julgado pelo seu psicólogo.

A pressão da curiosidade faz da relação um inquérito aonde a culpa do que foi vivido é reeditada.

A curiosidade não une, pelo contrário, ela levanta dúvidas.

A curiosidade de conhecer o outro pode ser justamente o obstáculo para que isso aconteça.

A pergunta imprudente distancia.

Partindo desta ideia é conveniente que a utilização dos testes psicológicos seja criteriosa e que seja feita mediante a real necessidade da situação e não para sanar a curiosidade do terapeuta ou por querer encurtar caminhos de uma psique que não está ainda pronta para lidar prontamente com o resultado de uma avaliação.

Quando alguém está sendo testado não há conexão entre as pessoas, a relação do testado é com o teste que o desafia.

Na psicoterapia para se abrir espaço para o outro é preciso, muitas vezes, recuar ou abrir espaço para que o outro o ocupe.

O estabelecimento de uma distância adequada numa relação com o outro permite que o outro também possa se isolar no espaço que reconheceu como seu, até para chorar se for o caso.

Este distanciamento não é sinônimo de frieza, pelo contrário, é um espaço amoroso para que o outro possa estabelecer a conexão interior com os seus próprios sentimentos e sentir a dor de ser ele mesmo.

A psicoterapia é muito mais do que o encontro com o outro, que é o psicólogo.

A psicoterapia é antes de tudo a possibilidade de que aquele que procurou auxílio se encontre consigo mesmo.

Paulo Rogério da Motta