A alma e a psicologia


A alma é desconsiderada no meio acadêmico por não ser encontrada no corpo humano.

A psicologia, porém, lida com a psique que é tão incorpórea quanto a alma.


A alma e a psicologia

A alma, segundo Helena P. Blavatsky, o principal nome da Teosofia, em sua obra: Glossário teosófico, é: “[…] o homem propriamente dito, é o intelecto humano, o elo entre o Espírito Divino do homem e sua personalidade inferior.”.

A alma, porém, é hoje desconsiderada no meio acadêmico e é tida como alucinação e sua existência é apenas testemunhada por místicos que são pessoas vistas neste meio como portadoras de patologias e que vivem à margem da realidade.

A alma é desacreditada por não ser encontrada no corpo humano e, por isso, é tratada como superstição ou mecanismo de defesa.

A alma é tida como ficção.

A psicologia não pode incorrer neste equívoco!

Outro autor teosófico, Charles W. Leadbeater, em sua obra: A gnose cristã, explica a personalidade citada por Blavatsky:

Quando a alma “assenta-se” (grifo do autor) na encarnação, assume não apenas um corpo físico mas também um mental que é, via de regra, denominado mente, e um corpo emocional através do qual as emoções funcionam. […] Quando, no final daquela vida, o corpo físico estiver desgastado, o processo reverte-se, e a alma despoja-se, uma um, dos veículos temporários que tinha assumido. Desse modo a alma, durante a encarnação, é temporariamente refletida em seus três veículos inferiores que, juntos, constituem a personalidade do homem.

Assim, percebe-se que à psicologia cabe lidar com o significado da alma, ou seja, com o aspecto psíquico desta, a alma como psique.

Desta forma, é na alma, seja em seu significado psicológico ou em sua definição teosófica, que se encontra a ponte que toca o espírito humano e, consequentemente, é nela que se expressam os anseios do espírito.

Leonardo Boff, em sua obra A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana, fala da unidade complexa corpo-alma e concebe que corpo e alma não são duas realidades e sim, duas dimensões do único e complexo ser humano e que o homem é corpo na medida que tem exterioridade e é alma na medida em que possui interioridade.

Desta forma, o autor coloca o ser humano como alguém que é uno, complexo e constituído de corpo-e-alma e não cabe a dissociação em tal constituição, pois o homem “é” em todo o tempo corpo e alma e não um ser que “tem” corpo e alma.

A alma é incorpórea e o que é espiritual não há como se investigar estritamente dentro dos limites da ciência.

Tais afirmações poderiam ser justificativas para se excluir a espiritualidade de qualquer campo que seja reconhecido como científico.

Mas a psicologia caminha por um campo que transcende o que é estritamente científico e exemplo disto é a própria concepção da natureza psíquica do ser humano, sendo a personalidade algo não fisiológico e, portanto, tão incorpóreo como a própria alma.

Os argumentos científicos que refutariam a existência da alma poderiam ser usados para se refutar a existência da psique, mas a psicologia sabe da existência da psique, resta agora assumir a postura de assumir também a existência da alma.

O homem é, a todo o momento, essa unidade corpo-e-alma.

O homem que entra no setting psicoterapêutico entra sendo essa unidade e não há como deixar de sê-lo.

Paulo Rogério da Motta


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